Ferrari impõe derrota histórica a McLaren

O clichê é inevitável: o que era praticamente impossível aconteceu. Kimi Raikkonen venceu o GP do Brasil e impôs à McLaren a grande derrota da história da F-1 neste domingo (21) em Interlagos.
Uns vão alegar que se trata de justiça divina pelo que a McLaren não sofreu em virtude do caso de espionagem, da qual saiu, numa análise simples, ilesa. Discrente o fim de semana todo, lacônico por natureza, quase dando de ombros para as possibilidades de título, Raikkonen recebeu da Ferrari e de Felipe Massa o primeiro lugar na velha estratégia de troca de posição nos pits diante da situação que a corrida desvelou desde a primeira volta.
E mostrou um Lewis Hamilton, tão consistente e a princípio tão maduro, tão próximo do título, errando logo no fim da reta oposta da primeira volta depois de ser ultrapassado por Fernando Alonso, caindo para a oitava posição. Massa, na largada, manteve-se na primeira posição e Raikkonen conseguiu superar Hamilton na linha limpa do traçado.
Na sauna com calor acima do esperado em São Paulo, que chegou a 37 graus, a Ferrari fritou a McLaren. Foi abrindo larga vantagem para Alonso enquanto Hamilton buscava recuperação com certa afobação. Na sexta passagem, a McLaren foi ao desespero quando viu seu pupilo lento por um bom tempo. Meio minuto depois, aproximadamente, o MP4-22 voltou a funcionar normalmente, mas aí o inglês já havia despencado para 18º.
Com Lewis fora de combate, a equipe inglesa voltou-se para Alonso. Que nem de longe andava no ritmo dos rivais vermelhos e passou a ser pressionado por Robert Kubica, com a BMW mais leve por uma parada a mais. O polonês até conseguiu no S do Senna, mas devolveu a posição ao espanhol ao ir para os pits.
Lá atrás, Hamilton passava Ralf Schumacher, Takuma Sato, Anthony Davidson, Kazuki Nakajima e encontrou certa resistência com Sebastian Vettel. A McLaren, por sua vez, resolveu alterar a tática de paradas do blindado piloto: para que tentasse minimizar a desgraça, encurtou seus trechos de prova a fim de andar mais rápido. Não resolveu muito. O máximo a que Lewis acabou alcançando foi um sétimo posto, insuficiente ao que já se esperava, com razão, que a Ferrari faria, que era efetuar a troca de posições entre Massa e Raikkonen.
Não foi à la Áustria 2002, na volta final. A escuderia italiana chamou Felipe na volta 50 para sua segunda troca de pneus e reabastecimento; três giros depois, Kimi, 24 segundos depois, adentrou os boxes, gastou menos de seis segundos e retornou à pista logo à frente do brasileiro.
Raikkonen até abusou desnecessariamente, fazendo a melhor volta neste ínterim. E com a sexta vitória no ano e o cavalar desempenho da segunda metade da temporada, chegou a 110 pontos, um a mais que Hamilton e Alonso, vice e terceiro, respectivamente, por causa de um segundo lugar a mais do britânico do sorriso com diastema mais do que amarelo.
No mais, o GP do Brasil mostrou o impetuoso Nico Rosberg superando nas voltas finais Kubica, que terminou logo à frente de Nick Heidfeld. E Jarno Trulli recolocou a Toyota na zona de pontos. Também teve Kazuki Nakajima se tocando com David Coulthard e fazendo um spare de mecânicos em sua parada — um deles saiu de maca para o ambulatório —, um Giancarlo Fisichella imprudente depois de sair da pista, surgindo diante de Sakon Yamamoto e provocando um acidente impressionante aos olhos, Heikki Kovalainen acertando a barreira de pneus com violência na saída da Curva do Sol e Adrian Sutil fazendo de Anthony Davidson uma parede no S do Senna, fato que rendeu um drive-through ao representante alemão da Spyker.
A punição também foi aplicada a Rubens Barrichello, que queimou a largada. O martírio e o caos de temporada do brasileiro se foram na volta 41, quando o motor Honda explodiu na subida dos boxes. Com cara de choro, declarou: "Foi péssimo." A antítese do que foi o fim da temporada.
E com o título de Kimi, um clichê pode ser bem criado e bem aplicado: inicia-se hoje na F-1 a "Era do Gelo".

Fonte.: grandepremio.com.br